Por Homero Meyer @ 19:57 — 09/09/2013

FeitoAqui #001 – O WeCast Quer Mudar Sua Forma de Ouvir Podcasts Para Sempre


logo-wecast

Em meados de fevereiro de 2012, após a publicação do infográfico sobre o Nercast aqui no blog e da divulgação do mesmo no post do Nerdcast 296, quando Azaghal e JovemNerd citaram meu nome em uma honrosa mensagem de agradecimento, recebi um convite muito especial de Eduardo Baião para me tornar beta-tester de seu app para iPhone. Foi muito antes de seu lançamento oficial que tive meu primeiro contato com o WeCast, que então se chamava MegabogaCasts, em uma clara referência ao pessoal do JovemNerd, nossos ídolos em comum.

Exatamente por se tratar de uma história tão especial e de uma relação tão longa com esse aplicativo, ele foi escolhido para abrir uma série de artigos especiais aqui no Cavaleiros Holográficos. Como você pode observar pelo título desse, essa série especial se chama FeitoAqui. Serão diversas análises no decorrer do próximo ano, cada uma abordando um aplicativo diferente – por hora apenas focando em desenvolvimento para iOS –  buscando explorar o processo de desenvolvimento dos empreendedores nacionais, suas ideias, os temas variados e as diferentes funcionalidades dos melhores apps feitos por aqui. Para começar, vamos embarcar no WeCast!

arma

A seguinte descrição foi retirada do site oficial do WeCast:

Imagine a seguinte situação: você está ouvindo um podcast quando um participante cita algum tópico que você desconhece ou não lembra bem. Pode ser o nome de um ator não tão famoso, um título de filme, um personagem, um game ou um acontecimento histórico, por exemplo. Não seria legal poder olhar para a tela do seu iPhone/iPod/iPad e nesse momento poder ver uma foto ou texto informativo a respeito do assunto em questão? Pode ser o pôster do filme, uma foto do ator, uma capa do livro, disco ou CD, uma foto do personagem. Por aí vai…

Tudo isso é possível no WeCast!

Primeiras impressões

Apresentando um design bastante característico das versões anteriores do iOS (Antes do iOS 7), o WeCast parece bem familiar, não inova, mas não incomoda também.

telas-iniciais

Ao abrir o aplicativo pela primeira vez, o que encontramos é uma lista já preenchida com alguns podcasts populares. Para quem não está acostumado com a mídia, talvez essa seja uma forma de embarcar rapidamente, mas para quem já acompanha um ou diversos podcasts, essa tela também apresenta a opção para adicionar um novo podcast e a opção de pular diretamente para uma tela que agrupa todos os episódios adicionados ao aplicativo.

telas-casts

Contexto e objetividade

O ponto realmente alto do WeCast é poder ouvir seus podcasts preferidos, diretamente em seu iPhone, e ainda poder acessar facilmente informações extras de cada episódio que conseguem expandir essa experiência. Para abordar melhor essa ferramenta e entender todo o conceito por trás do WeCast, conversei com o criador e desenvolvedor do mesmo. Segue agora a entrevista com Eduardo Baião:

Homero Meyer: Você me contou uma vez que a ideia do app veio um dia ao ouvir o nerdcast e perceber a quantidade de conteúdo que era citada nos episódios. Então, no início, você imaginava o WeCast como um player ou como um agregador de todo esse conteúdo?

Eduardo Baião: Imaginei como um player mesmo, mas com este conteúdo extra, alimentado pelos próprios usuários.

Homero Meyer: E como foi para você no começo? Você já tinha experiência com o desenvolvimento para iOS ou o WeCast foi seu ponto de partida?

Eduardo Baião: Já trabalhava profissionalmente desenvolvendo aplicativos mobile. Também já havia publicado alguns aplicativos de relativo sucesso: os Almanaques dos Anos 80 e 90.

Homero Meyer: Os almanaques também possuem esse caráter colaborativo?

Eduardo Baião: Estas apps são do tipo “quiz”: jogos de perguntas e respostas.
Na época eu quis fazer também, mas não era viável, por motivos técnicos e financeiros. Aliás este ainda é um dos planos para o futuro destes aplicativos: permitir que os usuários colaborem com mais perguntas.

Homero Meyer: E como está sendo a resposta da comunidade de usuários com o WeCast? É um conceito bastante único. Há hoje grande participação dos usuários no cadastro de informações extras para os episódios?

Eduardo Baião: Acabei descobrindo que as pessoas tem perfis diferentes. A grande maioria gosta apenas de consumir conteúdo. Eles adoraram a experiência oferecida pelo aplicativo, mas não necessariamente se sentiram motivados a adicionar mais conteúdo aos episódios. Mas tem uma galera com perfil mais criativo, que gosta de compartilhar conhecimento. Estes se deliciaram com o aplicativo. E realmente é muito legal a tarefa de agregar conteúdo extra, principalmente devido à pesquisa que você acaba fazendo para poder adicionar um conteúdo de qualidade.
Tem um episódio em especial onde isso foi fantástico. Foi no episódio #93 do WeRgeeks. Um dos nossos usuários mais ativos, o Roger Takada, um brasileiro que mora no Japão, e que acabou virando um amigo pessoal meu, adicionou 74 imagens!

Homero Meyer: Quais são os podcasts com maior conteúdo extra, atualmente?

Eduardo Baião: Hoje os podcasts com mais conteúdo adicionado são: MRG, WeRGeeks e Nerdcast. Se tivéssemos mais apoio dos podcasters, acredito que poderíamos ter muito mais conteúdo extra adicionado. Nesse sentido, os caras que mais nos apoiaram foram o Tato Tarcan e o Prof. Maury, do WeRgeeks.

Homero Meyer: Eu fui beta-tester desde uma versão bem inicial do aplicativo, quando nem ainda havia a possibilidade de agregar esse conteúdo, mas percebi que desde o começo você mesmo se dedicou a cadastrar muito conteúdo nele, creio que para mostrar essa feature para os usuários e para incentivá-los a participar, isso mudou ou você ainda cadastra a maior parte do conteúdo extra dos podcasts mais populares?

Eduardo Baião: Hoje tento manter em dia o MRG, já que é um podcast que curto bastante e sou fã dos caras. Também ajudo no Nerdcast. Neste a galera já tem contribuído bastante. Dou uma força esporádica no WeRgeeks e já fiz alguns episódios do RapaduraCast. Outro que tenho feito por completo é o Radiofobia Classics.

Homero Meyer: E com relação à comunidade internacional? O WeCast tem uma boa aceitação fora da comunidade brasileira?

Eduardo Baião: Tem crescido bastante. Hoje a proporção de usuários está em 30% EUA e 65% Brasil. Mas isso é porque ainda não fizemos nenhum esforço para divulgar lá fora. Precisamos ajeitar antes nosso modelo de monetização. Não adianta vir uma enchurrada de usuários se depois não pudermos pagar os custos da hospedagem da aplicação.

Homero Meyer: E com esse público americano o conceito de agregar conteúdo aos episódios já mostrou algum resultado? Foi possível perceber alguma diferença de comportamento?

Eduardo Baião: Um dos efeitos dessa nossa decisão de não divulgar por lá (ainda) é justamente não adicionarmos conteúdo nos podcasts gringos. Aí quando o usuário usa o aplicativo ela acaba não podendo passar pela experiência de ouvir um podcast com conteúdo extra adicionado. Consequentemente acaba ficando desestimulado para ser cobaia neste experimento (risos). Sem contar que por lá tudo é desculpa para tomar um processo. Acredito que os usuários fiquem um pouco intimidados. Acho que vai ter que ser como foi por aqui: a gente inicia o movimento e a galera segue atrás.

Homero Meyer: Mostrei o WeCast para algumas pessoas e, exatamente como você apontou, sem demonstrar a feature de conteúdos extras, muitos não conseguem percebê-la tão rapidamente. Na minha opinião, esse é o ponto alto do app e o motivo que me fez usá-lo, definitivamente. Você tem planos para facilitar a acessibilidade e usabilidade dessa ferramenta, bem como sua importância dentro do contexto?

Eduardo Baião: Sim, sim. Temos muito a melhorar neste aspecto.

Homero Meyer: Você poderia descrever brevemente como funciona o modelo de negócios do WeCast?

Eduardo Baião: A idéia é no futuro apresentar publicidade não invasiva e direcionada. Cada um dos quadros adicionados aos episódios poderão ter um hiperlink associado. Se eles estão falando sobre um filme, livro ou jogo etc, o usuário estaria a um toque/clique de efetivar uma compra de algum produto ou serviço relacionado ao conteúdo apresentado. Claro que só faremos isso em parceria com os criadores dos podcasts. Tenho algumas features essenciais para lançar na versão iOS do aplicativo, mas já tenho trabalhado paralelamente num player que possa ser adicionado nos sites dos podcasters, rodando diretamente no navegador.

Homero Meyer: Legal, pode contar conosco para testar essas ferramentas também. Nosso podcast será constante agora!

Eduardo Baião: Show!  A primeira versão deste player vai rodar em cima do WordPress.

Homero Meyer: Para finalizar, ainda sobre monetização, o WeCast é gratuito para até seis assinaturas e acima disso, o usuário precisa adquirir a versão paga, que custa $ 1,99, certo?

Eduardo Baião: Isso. Mas como temos investido em adquirir mais base de usuários, a versão do aplicativo que está hoje na loja permite que este limite seja ultrapassado por tempo indeterminado.

Ao final da entrevista, Eduardo me contou que a decisão da mudança do nome do aplicativo, de MegabogaCasts para WeCast, aconteceu por pressão da comunidade de podcasters no Brasil, embora eu não vá entrar em detalhes, nem justificá-la aqui, prefiro o nome atual e acredito que ele tem mais força e propriedade, tanto para nosso mercado como para o mercado internacional, sendo assim, foi uma boa escolha.

Originalidade

O conceito do WeCast é realmente novo e está em constante desenvolvimento, mas seu potencial é bastante grande, basta conferir o sucesso de sites como o Rap Genius, que proporcionam também essa expansão colaborativa do conteúdo apresentado. No caso do Rap Genius, porém, a interação é toda baseada em texto quando no WeCast temos o conteúdo extra sincronizado com a timeline do audio, revelando as informações na medida em que o episódio avança.

telas-extras

Abordagem técnica

Durante o período de testes, o WeCast se mostrou bastante estável. Não experimentei falhas, fechamentos por conta de erros e nem mesmo problemas nos carregamentos de episódios novos ou antigos, o que é recorrente no software Podcasts da própria Apple.

Sua arquitetura é simples e até mesmo por isso alguns menus são engessados, por exemplo, ao adicionar um podcast o sentimento é que existe um excesso de telas. Ao escolher a opção “Add new podcast” na tela inicial, o software te leva para outra tela com as opções para adicionar manualmente, acessar os mais populares ou buscar algum podcast. Uma tela inteira apenas para essas três opções parece um pouco desperdiçada, talvez ela funcionasse melhor se apresentasse diretamente um campo para busca e/ou feed, deixando a necessidade de partir para uma nova tela apenas para ver as sugestões de programas mais populares.

Porém, existe um ponto onde o WeCast acerta em cheio – a experiência de ouvir seus programas preferidos – que é expandida pela contribuição da comunidade que pode agregar conteúdos ligados diretamente com a timeline de cada episódio, conforme comentado anteriormente. Com isso, o WeCast abriga tudo que é comentado em cada episódio, incluído em uma timeline paralela que pode ser acessada com apenas um clique, mostrando imagens, textos e marcadores que facilitam a navegação. Com certeza é uma grande ideia.

Conclusão

Como player, o WeCast peca pelo excesso de telas e pela estrutura de múltiplas listas, o que deixa a usabilidade um pouco massante, porém, ao abrir sua playlist e começar a tocar seus podcasts, você vai encontrar um aplicativo completamente novo, e um horizonte completamente novo. Será difícil usar outro player de podcasts depois dele, pois a cada nova citação interessante, você esperará encontrar uma contribuição em forma de texto ou imagem ou sentirá a vontade de agregar conteúdo subindo você mesmo novas contribuições multi-mídias para expandir o assunto. Com isso, de zero a cinco, o WeCast conseguiu uma nota de 3.6 pontos, ficando acima da média e conquistando nossa aprovação e recomendação.

nota-wecast

Teste o WeCast você também e deixe nos comentários a sua avaliação.

Você também pode sugerir outros aplicativos nacionais para avaliarmos nessa série especial do Cavaleiros Holográficos!